Price ou SAC: qual a diferença
Toda parcela de um financiamento tem duas partes: os juros, calculados sobre o saldo devedor, e a amortização, que é a parte que realmente diminui a dívida. O sistema de amortização define como essas duas partes se dividem ao longo do contrato. No Brasil, os dois mais usados são a Tabela Price e o SAC.
Tabela Price: parcelas iguais
Na Price, todas as prestações têm o mesmo valor. No começo, a maior parte da parcela é juros e a amortização é pequena; com o tempo, isso se inverte. É o sistema mais comum em financiamento de veículos, crédito consignado e empréstimo pessoal, porque facilita o planejamento do orçamento. A parcela é calculada pela fórmula PMT = PV × i ÷ [1 − (1 + i)−n].
SAC: parcelas decrescentes
No Sistema de Amortização Constante, a amortização é sempre a mesma: o valor financiado dividido pelo número de parcelas. Como o saldo devedor cai mais rápido, os juros também caem, e as parcelas diminuem mês a mês. A primeira prestação é a mais alta do contrato. O SAC é o padrão na maioria dos financiamentos imobiliários dos grandes bancos.
Exemplo prático
Vamos comparar um empréstimo de R$ 10.000 em 12 meses, com juros de 1% ao mês.
| Tabela Price | SAC | |
|---|---|---|
| 1ª parcela | R$ 888,49 | R$ 933,33 |
| 2ª parcela | R$ 888,49 | R$ 925,00 |
| Última parcela | R$ 888,47 | R$ 841,70 |
| Total de juros | R$ 661,86 | R$ 650,00 |
| Total pago | R$ 10.661,86 | R$ 10.650,00 |
Na primeira parcela da Price, R$ 100,00 são juros (1% de R$ 10.000) e só R$ 788,49 amortizam a dívida. No SAC, a amortização é sempre R$ 833,33, e os juros começam em R$ 100,00 e caem R$ 8,33 por mês. A última parcela da Price sai R$ 0,02 menor por causa do arredondamento dos centavos.
O SAC cobra menos juros no total porque a dívida diminui mais depressa. Em contratos longos, como 30 anos de financiamento imobiliário, essa diferença pode chegar a dezenas de milhares de reais. Em troca, exige uma renda maior no início, já que a primeira parcela é a mais pesada.
Custo Efetivo Total (CET)
A taxa de juros não é o único custo. O CET soma juros, IOF, tarifas de cadastro e avaliação, seguros obrigatórios e outros encargos, e é o número que deve ser usado para comparar propostas de bancos diferentes. Os bancos são obrigados a informá-lo antes da contratação. Em financiamento imobiliário, ainda entram os seguros de morte e invalidez (MIP) e de danos ao imóvel (DFI), e muitas vezes a correção do saldo pela TR ou pelo IPCA.
Dicas antes de contratar
- Compare o CET, não só a taxa de juros, e simule o mesmo prazo em cada banco.
- Quanto maior a entrada, menor o valor financiado e menos juros você paga.
- Amortizações extras reduzem o saldo devedor. Prefira usá-las para diminuir o prazo, o que gera mais economia de juros do que reduzir a parcela.
- Garanta que a parcela caiba com folga no orçamento. Para financiamento imobiliário, muitos bancos limitam a parcela a cerca de 30% da renda familiar.
- Você pode quitar o contrato antecipadamente com desconto proporcional dos juros, direito garantido pelo Código de Defesa do Consumidor.